Leve Além...

significado e contexto


A Inquietação do Discurso
(RE)LER MICHAEL PÊCHEUX HOJE
(Denise Maldidier)

1º Capítulo


            Apresentando a análise do discurso como uma ciência pré-suposta de uma própria teoria, Denise Maldidier, no desenvolver de seu trabalho (A Inquietação do Discurso), busca um aprofundamento no pensamento de Michael Pêcheux: filosofo francês de 1938, que através de seus estudos, fundou a linha conhecida como análise do discurso Pêcheutiana.
            Em conseqüência as afirmações de Pêcheux, onde ele afirma “que a ideologia não funciona como um sistema fechado mais cheio de “furos”” (p. 09), Denise segue explorando o discurso polêmico, lúdico (divertido) e autoritário, firmando assim um estudo através de tipologias (classificação por tipos). Vem então a critica de Michael Pêcheux de que a análise do discurso não se faz através de tipologias, a ponto que elas podem ser bem exploradas e assim, haver um crescimento e entendimento maior referente ao discurso propriamente questionado.
            Em defesa a analise do discurso, ambos: Denise Maldidier e Michael Pêcheux se posicionam frente à história da ciência e a sua inquietação teórica, ou seja, é através dos acontecimentos e seus questionamentos que sempre existirá novos conceitos. Com isso, o discurso sempre estará em processo de transformação, a ponto que, o discurso de ontem sofrerá mudanças na realidade do amanha.
 

2º Capítulo

            Michel Pêcheux apesar de ter sido pouco lido em vida seu nome é citado como referência em artigos e teses de análise de discurso, disciplina a qual é associado. Apesar dos seus conceitos hoje, não terem mais relevância. Segundo Denise Maldidier, “discurso é o lugar teórico em que se intrincam literalmente todas suas grandes questões sobre a língua, a história, o sujeito” (Inquietação do Discurso, p. 15).
            O interesse de Michel Pêcheux pelo alemão afirma-se no Liceu de Tourse tudo levava a crer que se tornaria professor de alemão. Na escola Normal Superior decide ser filósofo. Em 1966, Michel Pêcheux publica seu primeiro artigo com o Pseudônimo de Thomas Hebert.
Pêcheux ao entrar na escola é sartriano, teve uma infância católica. Isso se modifica com o seu encontro com Althusser quando ele decide sua “entrada em política”. Althusser é um mentor, uma referência para Michel Pêcheux.


3º Capítulo

A autora Denise Maldidier fala neste capítulo sobre a Inquietação de Michel Pêcheux referente a alguns assuntos importantes como, por exemplo, o estranho livro com o título Provocador de Análise Automática do Discurso, o qual constituiu o novo “O Discurso”. Uma primeira Máquina Discursiva como disse Pêcheux mais tarde, que desempenhou ao mesmo tempo o papel do momento quase mítico da fundação e do protótipo remodelado sem cessar, criticado, corrigido, finalmente abandonado, mais sempre presente.
Livro este que chocou, lançando a sua maneira, questões fundamentais sobre os textos A leitura, O sentido. Seus amigos Paul Henry e Michel Plon, contam como nasceu o projeto, uma máquina que chamaram de (Cavalo de Tróia), com o destino de ser introduzido nas ciências sociais para produzir uma reviravolta.
A autora ressalta como Michel Pêcheux se preocupou como pesquisador, no laboratório de psicologia social e refletiu sobre a história da ciência e da ideologia. Essa elaboração da análise automática do discurso, objeto de uma tese universitária 1968, estritamente contemporânea de outras, contribuição de outros autores, como a Revista do círculo Epistemologia da École Normale.
Michel Pêcheux escreveu dois artigos diferentes do que fez em seu livro, se referindo ao materialismo histórico e a psicanálise. Durante o verão de 1968 “Notus para uma teoria geral das ideologias”. Para ele os instrumentos, antes de se tornarem científicos podem constituir simples técnicas, assim como as balanças foram muito tempo, instrumentos de transação comercial, antes de se tornarem com Galileu, o objeto da teoria das balanças uma parte integrante da física.
Denise Maldidier deixa claro que Michel Pêcheux contestou quanto as disciplinas batizadas de ciências, que sob acobertamento do sujeito psicológico, e ignoraram ou não quiseram saber de sua relação com a política, que ainda por cima se paramentou com os atributos da cientificidade emprestando seus métodos da estatística e da lingüística.
É por uma crítica desses métodos a contagem da freqüência, as variantes da análise do conteúdo, mas também as aplicações estruturalistas aos domínios e os mais variados que se abrem a introdução a Análise Automática do Discurso. Ele é um primeiro modelo de uma máquina de ler que arrancaria a leitura da subjetividade.
Michel Pêcheux posteriormente, invocaria sob o vocábulo irônico do Tríplice Entente, os nomes Marx, Freud e Saussure, 1969, mas apenas Saussure é bem presente. O discurso desde esse momento, foi tomado como um conceito que não se confunde nem com o empírico sustentado por um sujeito, nem com o texto, um conceito que estoura qualquer concepção comunicacional da linguagem.
O discurso construído por Michel Pêcheux não invoca de forma alguma a superação da dicotomia Língua/Fala. Saussure é para ele o ponto de origem da ciência lingüística constituindo assim o discurso como uma reformulação da fala saussuriana, desembaraçado de suas implicações subjetivas. Teorizado com o apoio crítico de Saussure constrói-se no sentido próprio “a máquina discursiva” da Análise Automática do Discurso.
É a o oficina onde se aprende o objeto novo, dando conjuntamente a teoria de um objeto novo, e os meios de discerni-los de fato do final dos anos 60, o filósofo ocupado com as ciências paralelamente com linguista Jean Dubois, para a fundação de uma nova disciplina a análise do discurso.
A autora enfatiza que para Michel Pêcheux, era “impossível analisar um discurso com um texto, era necessário referi-lo ao conjunto de discursos possíveis a partir de um estado definido das condições de produção”. Mas tarde, Pêcheux intitulou seu livro de “Urgência Teórica”. Nele se inscreve a maior parte de seus temas, suas angustias também, sua conclusão é bem a de um filósofo “provisória”. Ele parecia oníssono, no entanto, o que trazia seu texto era uma grande violência polêmica: a propósito da lingüística ele perseguia as reflexões trazidas pelas histórias das ciências e suas rupturas, intervindo pela primeira vez de forma central no campo da lingüística em torna de Saussure e contra a semântica, mesmo que isto possa parecer paradoxal a forma da análise lingüística, a questão do corte saussuriano e recobrimentos.
Segundo Denise Maldidier, a pergunta feita por Michel Pêcheux, sobre qual o nó na ruptura saussuriana foi também respondida pelo mesmo, com uma formula um pouco misteriosa por sua própria densidade, ele denunciou o princípio da subordinação e da significação ao valor. Ele liga a significação, a fala e aos sujeitos, o segundo a língua. Ele propôs o termo pré construído, a teoria do discurso acabava de receber um novo conceito, despojado de qualquer sentido lógico, o pré construído a reformulação da pressuposição no novo terreno do discurso.
A autora fala do texto, assim como o exprimiu Michel Pêcheux como um sentido, uma reescrita de todos os textos precedentes, com marcas de retornos, reflexivos de retificações, atualizações de apreensões, o estigma da inquietação.

  
 4º Capítulo


            O ano de 1975 marca o início da grande fratura, da reviravolta teórica que acaba por estabelecer um novo paradigma. Um novo tempo para Michel Pêcheux, parece ter levado ao limite seu projeto inicial.
A máquina discursiva parece provisoriamente engajada em um impasse. Os anos 1976 a 1979 serão aqueles da fala, mas do que da escrita. Assim é preciso começar a evocar dois lugares de fala que desempenham um papel importante nessa história.
Henry, Pêcheux, Plun, pesquisam sobre a teoria das ideologias. Assim acaba de nascer o seminário HPP que se manteria durante três anos e meio até junho de 1979. O termo ideologia tornou-se objeto de um constante desvio, ele é um pretexto de um luta teórica que toma seu sentido ao ser pensado na luta de classes.
No seminário HPP (Henry, Pêcheux, Plun), o rigor teórico vizinhava a mundanidade de um círculo de uns poucos felizes. A reflexão abraçava audaciosamente as questões situadas no encontro das línguas, da psicanálise e da política. Para Michel Pêcheux nesses anos de tentativas, somos presos a uma cronologia mais fina. As intervenções e os textos de Michel Pêcheux nos anos de 1976 e 1977 se situam inicialmente nas antípodas da tentativa.
O tom desse texto é bem característico de uma posição de verdade que freqüenta momento da tentativa. Remontemos é o título da comunicação que Michel Pêcheux fez em novembro de 1977 no simpósio do México intitulado o discurso político: teoria e análises.
Spinosa aos olhos de Michel Pêcheux retrabalha aqui as indicações de Althusser formuladas nos elementos de auto-crítica, a análise da ideologia religiosa por Spinosa constitui um “trabalho espontâneo da contradição”. O primeiro ataque conseqüente contra a ideologia religiosa e a religião se efetuou no nome da ideologia religiosa através e apesar dela.
A conclusão é clara, isso significa “que ideologia religiosa” e (o discurso que ai se realiza) não podem de forma alguma ser compreendido como um bloco homogêneo, idêntico a si mesmo com seu núcleo, sua essência, sua forma típica.


Trabalho solicitado pelo professor Robério Barreto, como requisito de avaliação da disciplina Significado e Contexto, do Primeiro Semestre de 2009.2.

AUTORES:
Adson Moreira de Souza
Fabiane Ferreira Neiva
Ludemberg Pereira Dantas
Maria Claudinei Alecrim de Souza
Mariana Dourado Vasconcelos